quinta-feira, 27 de junho de 2013

Alta-Costura

    Charles Frederick Worth é creditado como fundador da indústria moderna da alta-costura, cristalizando o papel do estilista como criador de tendências. Worth elevou  a atividade da confecção do vestuário para o patamar de empreendimento artístico. A habilidade técnica superior, o tino para negócios e um cultivado ar de exclusividade garantiam-lhe um status até então inédito na industria da moda.

    Em 1858, Paris possuía uma industria de moda bem desenvolvida, mas com estrutura muito diferente do sistema atual. Submetido às normas do Sindicato de Comércio, estabelecidas no longinquo ano de 1675, o costureiro tinha pequena ou nenhuma influência sobre os modismos. As grandes autoridades em questão de indumentaria eram os marchardes de modes("fornecedores de materiais", em francês). Rose Bertin, a mais celebrada entre eles, foi a grande influenciadora de estilo na França pré-revolucionaria, posição garantida ao assumir o papel de conselheira-chefe de moda de Maria Antonieta. Ainda que nem sequer soubesse desenhar modelos, Bertin criou um contexto no qual puderam florescer a alta-costura e a moda da forma como conhecemos hoje.

      Cabe ao Inglês Charles Frederick Worth, contudo, o crédito por delinear a estrutura da indústria de moda parisiense. Depois de trabalhar para os melhores mercadores de tecidos da Inglaterra e da França, Worth havia alcançado uma profunda compreensão do comércio de moda quando abriu seu próprio negócio na rue de la paix na paris de 1858. Desde então, ele cultivava uma imagem de exclusividade. Em contraste com outros costureiros, Worth trocou o status de artesão pelo de artista, cujos vereditos os clientes eram forçados a atacar. Com suas incompareveis habilidades técnicas, penetrou criações que justificaram a adoção  da nomeclatura Haute cuture, ou alta costura.

     Worth chegou a enfrentar uma resistência inicial, mas teve sua reputação consolidada quando a imperatriz Eugênia, mulher de Napoleão III, admirada com um de seus trabalhos, encomendou-lhe alguns vestidos.

     O sucesso foi tamanho que, em 1864, o costureiro já era o principal responsável pelo vestuário da imperatriz para ocasiões formais e de noite. Considerando-se que em bailes imperiais nenhum vestido poderia ser repetido, e com tantas damas querendo imitar Eugênia, Worth poderia receber uma demanda de mil vestidos diferentes para um só evento. Isso não só demostrava sua popularidade e eficiência, como também seu incrível senso de inovação. Os designes de Worth caraterizavam-se pelo amplo aproveitamento de matérias suntuosos, e seus primeiros vestidos destacavam-se pelo uso da criolina. Referências históricas se evidenciam em seus desenhos, influenciados por horas de observação de obras nas galerias de arte de Paris e Londres. As mangas bufantes, sua última grande contribuição para a moda do século XIX, inspiravam-se no período elisabetano.

      O legado de Worth para a atual industria da alta-costura é grande. Em 1868, ele fundou uma associação de casas de costura dedicada a regulamentar e proteger o trabalho dos costureiros parisienses. A iniciativa foi consolidada por seu filho Gaston e evoluiu para tornar-se La Chambre Syndicale de la Couture Parisiense(camara sindical da costura parisiense), que até hoje comanda a industria da alta-costura da capital francesa- que continua geograficamente concentrada em torno da rue de la paix, endereço original do ateliê de Worth.





















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