domingo, 23 de junho de 2013

Dandismo

     O dandismo era ( e ainda é ) caraterizado não por um estilo particular, mas pela dedicação à excelência indumentaria. O dândi original foi Beau Brummell. Tratado como oráculo da moda por seus contemporâneos, ele transformou os códigos ingleses do vestuário e da etiqueta no período de 1794 a 1816. E o fez dispensando modelos luxuosos e favor de peças justas e de sóbria perfeição.

      A aparência não era um mero complemento na vida do dândi, mas, sim, o propósito de sua existência. O vestuário era apenas parte da imagem construída com esmero. O dândi possuía um preparo pessoal meticuloso, porém discreto, um ar de distinção, elegância e pose, maneiras perfeitas, uma atitude caprichosa que permitia criar e mudar suas próprias regras de indumentária-e, acima de tudo, uma postura calculada de indiferença. De acordo com Baudelaire, "o dândi é blasé ou finge que é", o que, atualmente seria mais bem descrito como um distanciamento cool, descolado.

     George Bryan"Beau" Brummell foi o dândi seminal e dominou a moda inglesa masculina de 1794 a 1816. Apesar de não ter nascido na classe alta, adentrou os círculos aristocráticos à custa da própria capacidade fazendo de Londres um palco para seu exibicionismo recatado, para seu "pavonice" paradoxalmente indiferente. Brummell era, porem, muito mais do que um alpinista social bem-vestido. Moderno e soberano de si mesmo, rejeitava modismo aristocráticos como pós, perucas, saltos altos, sedas, veludos e jóias extravagantes. Na verdade, ostentava um visual que era a antítese de tudo isso, em seu aparente recato. Sua esfera de influência ampliou-se quando ele se tornou íntimo do príncipe de Gales ( o futuro rei George IV) e conselheiro de moda e etiqueta da corte.

     O modelo preferido de Brummell era uma evolução do vestuário prático e recortado usado da caça e em atividades de equitação e de lazer. Ele usava um casaco escuro desenhado com habilidade, em geral azul e com cauda dupla em "V"invertido. Sua adoção de calças justas foi vital para a popularização das calças masculinas, enquanto as botas de couro para equitação tinham de ser polidas à perfeição. A única e leve conseção ao luxo era o tecido de linho para o pescoço, com nó elaborado,usado sob a gola alta e firme da camisa. Seu corte de cabelo à la titus( emulando o imperador romano tito), com pequenos cachos e longas costeletas, somado à pele barbeada e limpa, inferiam uma suposta falta de cuidado, quando, na verdade, demanda horas de preparação.

      Avanços  na manufatura têxtil e nas técnicas de alfaiataria possibilitaram a excelência indumentaria de Brummell. Tecidos  de lã recém-desenvolvidos eram suficientemente adaptáveis para proporcionar o caimento justo e os cortes exatos que ele demandada.E a rua Savile Row,em Londres, era uma antena sintonizada com as ultimas novidades de arte da alfaiataria.

      Como filosofia, o dandismo persistiu no tempo. Cada período e local assistiu à Ascenção de seu próprio grupo de dândis. O francês conde D'Osay suplantou Brummell como autoridade em bom gosto depois de mudar-se para Londres em 1821. Nos anos 1890, o esteta Oscar Wilde seguiu a tradição de reverencia à aparência sem perder o desdém arrogante. Algo semelhante ao estiloso ar distanciado de escritor norte-americano Tom Wolf, um dos grandes dândis do século XX.




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