quinta-feira, 20 de junho de 2013

Exotismo XVIII

     O Exotismo caracteriza-se pela introdução de um estilo ou peça oriundos de outro país, associada ao fascínio pela sua atraente estranheza. Influenciado tanto pelas crescentes conexões de mercado entre Europa e o Oriente como pelo uso de vestimentas"exóticas" em produções teatrais renomadas, o Exotismo influenciou tecidos, aspectos decorativos, silhuetas e acessórios do vestuário europeu ao longo do século XVIII.
     
       Em busca incessante por novidades, há tempos a moda europeia recorre ao vestuário e às artes decorativas de diferentes culturas (particularmente as orientais) como fontes de inspiração. Criadas há séculos entre Europa e Oriente, as rotas comerciais só vieram a se estabelecer firmemente no século XVII, permitindo o fluxo constante de artefatos e tecidos. Isso originou a febre do Exotismo, que perduraria ao longo do século XVIII.
     
       A influência do Exotismo se evidenciou sobretudo nos tecidos. O refinamento, a delicadeza e a harmonia do Rococó estavam incorporados nas requintadas sedas estampadas chinesas emulando botões de flores, folhas, pássaros e outros elementos da natureza. Com preço reduzido, mas também ostentando os incríveis desenhos chineses, o algodão tingido também encontrou um mercado ávido.
       
       Inspirados na beleza dos tecidos orientais, os fabricantes europeus passaram a criar seus próprios têxteis"chineses". A demanda crescente pelo produto daquele país estimulou a criação de uma versão europeia do exotismo original-uma reinterpretação baseada não no contato ou na experiência, mas na imaginação. Com tal impulso, a tendencia infiltrou-se nos lares do século XVIII. As sedas bizarras produzidas na Itália, na Inglaterra e na França revelaram-se como uma mistura de elementos chineses e barrocos, popularizando-se por volta de 1700 em diante.
     
          A chita indiana, também conhecida na Inglaterra como Chintz (do hindi chint, algodão pintado à mão) ou toile peinte (tecido pintado à mão) na França, também se tornou extremamente popular. A partir de avanços na química e na engenharia, a manufatura francesa de "indianos" (os tecidos tomavam o nome emprestado, independentemente da real procedência) decolou após 1759. O mais famoso deles foi o toile du juoy, lançado por Christophe-Philippe Oberkampf em 1762. O nome de origem faz referência à cidade de origem do produto, juoy.
   
       Madame de Pompadour, a amante oficial de Luís XV, fez muito para promover essa tendência, foi freqüentemente retratada em pinturas usando vestidos feitos de seda chinesa estampada ou em tecido tipo chinoiserie fabricados em Lyon, a capital francesa da seda.
     
       A partir de 1772, diversos estilos se sucederam: surgiam em sequência os robes à la polonaise, à la levite, à la turquoise e à la sultane, que seguiam a convenção ocidental,guardando apenas uma vaga conexão com suas origens exóticas.
   
       A Revolução Francesa, em 1789, rompeu a tendência, que reemergiu no fim do século XIX e seguiu influenciando a moda até os dias atuais.
               
               Me desculpem, mas não achei boas imagens.

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