quarta-feira, 26 de junho de 2013

Industrialismo

    Até a virada do século XIX, a moda se desenvolvia deforma estável, ao sabor das convulsões politicas, sociais e religiosas que agiam como indicadores de novos modismos. A industrialização têxtil, seguida por avanços na manufatura e na venda de tecidos, revelou novos catalizadores para a evolução da moda:disponibilidade, acessibilidade, modalidade social e novidades, da parte dos consumidores, e lucro, da parte dos fornecedores.

     A mecanização dos processos de fiação, tecelagem e impressão cilíndrica multiplicou o volume da produção e a variedade de tecidos, reduzindo custos. Como consequencia, os guarda-roupas da emergente classe média e das classes trabalhadoras(no que diz respeito a roupas para ocasiões especiais) tornaram-se mais diversificados. Os modismos passaram a se suceder em ritmo mais acelerado.
 
     A disponibilidade da moda para as massas ganhou impulso com o aperfeiçoamento da maquina de costura( desenvolvida por Walter Hunt e, em seguida, por Elias Howe) por Isaac Merritt, em 1851. Colocada á venda em prestações, a maquina tornou-se uma alternativa viável para qualquer lar. Muito tempo seria necessário até o advento da efetiva produção em massa de roupas, mas, a partir dos anos 1860, houve um consideravel aumento no numero de oficinas de costura.
 Em paralelo, melhorias na velocidade e na qualidade da impressão gráfica, a custos mais baixos de produção, impactaram diretamente a criação e a disseminação de modismo. Desenhos de moldes de papel incrementaram a qualidade dos acessórios feitos em casa e ajudaram a popularizar determinados estilos. Jornais especializados em moda circulavam amplamente, tornado-a mais acessível a compreensão popular, conforme o tempo passava.
 
   A revolução no consumo que se seguiu à Revolução Industrial manifestou-se por meio da ascensão das lojas de departamentos. Nesses estabelecimentos, os frutos da mecanização eram elevados às novas e afluentes  classes de consumidores, empolgados com as ofertas de estilo disponíveis.
 
       Enquanto alguns se beneficiavam, outros porém, assistiam à degradação de suas condições de vida no centros urbano em rápida expansão. Injustiças chocantes pontuaram todos os estágios da produção de moda. Reino Unido vendia escravos africanos aos Estados Unidos para impulsionar sua lucrativa industria do algodão. Crianças pequenas eram submetidas a longas jornadas de trabalho insalubre nas maquinas, expondo-se ao risco de acidentes. A exploração da mão de obra se revelava uma pratica generalizada entre os impresarios do setor.

     Bolsões de resistência, assim, passaram a se formar. O resgate da etérea, delicada e bela moda da era romântica anterior(1820-1840) simbolizava o dejeso de escapar da dura realidade da industrialização. Ao mesmo tempo, incomodando com a técnica relativamente rude da produção fabril e buscando a revalorizar as habilidades artesanais deixadas para trás pela mecanização, o movimento Artes&Crafts articulou um manifesto que ressaltava a importância do esteticismo, da individualidade e dos produtos feitos à mão.
                                             

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