terça-feira, 18 de junho de 2013

Restauração de Carlos II

    Em 1660, Carlos II da Inglaterra retornou ao trono, após um período de 11 anos de exílio na corte de luís XIV na França. O estilo extravagante e suntuoso que acompanhou a Restauração foi influenciado pela moda francesa do período e, de certa forma, representou o triunfo ideológico da mornaquia frívola sobre a puritana Commonwealth, a Comunidade Britânica de Nações de Oliver Cromwell.
 
   O tumultuado cenário politico da Grã-Bretanha no século XVII refletiu-se nas roupas do período. Sob o governo do puritano radical Oliver Cromwell, a moda era recatada em seus adornos, linhas e cores. Depois da morte de Cromwell, a restauração ao trono de Carlos II em 1660 lançou uma moda altamente ornamentada, antítese do visual sóbrio que a antecedera. Para os homens em particular, a moda tornou-se cada vez mais extravagante. O período foi documentado por pesquisadores como "Uma época estranhamente afeminada em que os homens se esforçavam por imitar as mulheres em seu vestuário". Metros de fitas, rendas, pingentes e laços decoravam a vestimenta aristrocata masculina padrão.
 
    Os calções volumosos, usados desde antes da Restauração e conhecidos como calções de Rhinegrave, tornaram-se universais após 1660. Eram enfeitados com grandes quantidades de laços e eram tão largos (chegando a 1,80m) que se tornavam indistinguíveis de um vestido curto. Em volta do joelho, extenções ornamentais (cannons, literalmente"canhões" em inglês) prendiam-se à boca das meias. Eram babados de fita plissados, que ca´´iam como um saia por cima das botas longas. Usava-se o gibão, jaqueta curta e justa, por cima da camisa de caimento fluído. O efeito era reforçado pela moda de perucas extravagantes, altamente estilizadas. Os modismos incluíam a peruca de cobertura completa, com o centro liso e, em volta, cachos encaracolados derramando-se sobre os ombros, visual que perdurou até o começo dos anos 1700.
   
      Como tentativa de libertação da influência da moda francesa, a partir de 1666 Carlos II orquestrou a reformulação do vestuário masculino, introduzindo à corte o protótipo do terno moderno, Baseado num conjunto tradicional persa, compunha-se de colete longo usado sob casaco do mesmo cumprimento(uma evolução do gibão), acompanhado de calções relativamente estreitos. Registros valiosos da adoção e disseminação desse estilo foram deixados por escritores da época, como Samuel Pepys e John Evelyn.
     Enquanto a moda masculina passava por transformação radical, os estilos adotados pelas mulheres durante a Restauração exibiam modificações menores em relação aos modismos da mornaquia anterior, dos Stuart. Até 1680, os vestidos eram compostos por corpete justo e amarrado com firmeza,de cintura baixa, e saia. Ao longo do período da Restauração, os corpetes tornaram-se  mais estreitos e longos na frente, com amplos decotes plissados com laços ou faixas de linho.

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