sexta-feira, 21 de junho de 2013

Revolução Francesa

       A revolução francesa desencadeou uma imensa mudança nos modismos populares. As linhas suntuosas e artifícios do período Rococó foram abandonados em favor da simplicidade e do naturalismo, valores afinados com o ideal igualitário da revolução.

       Varias fontes de descontentamento culminaram no advento da revolução francesa de 1789. De um lado, a escassez de alimentos e a derrocada econômica; de outro, o luxo da corte e a insensibilidade de Luís XVI e sua rainha, Maria Antonieta, quem se atribuiu a frase "Se não tem pão, que comam brioches" supostamente dirigida ao povo faminto.

       A desigualdade caracteristica do regime estava prestes a cair, e uma consciente" politização" do vestuário veio promover e expressar os ideais da nova ordem social. As sedas deram lugar ao algodão, a silhueta ficou mais simples e a decoração opulenta acabou banida. Distanciar-se de tudo o que se relacionasse com a corte, a partir de certo momento, foi uma questão de autopreservação: de setembro de 1793 a julho de 1794, um dos lideres revolucionarios, Maximilien Robespierre, executou diversos adversários políticos sob o pretexto da pureza ideológica, durante o chamado período do terror.

       A mudança no estilo, porem, não significou uma ruptura total com a moda francesa pré-revolução, mas apenas catalisou o que vinha se manisfestando há tempos como tendencia geral. Para as mulheres, tratava-se da sequência natural de um movimento de transformação que havia começado já nos anos 1770, com o Naturalismo, e que seguiria evoluindo para Neo classicismo, estilo que dominou o período do diretório (1795 a 1799, sistema de governo que se estabeleceu depois da morte de Robespierre) e se estendeu para a fase do império (1799 a 1820).
 
       Para os homens, o credo igualitário da revolução foi materializado na vestimenta dos sans-culottes( os "sem-calção", nome com que a aristocracia tratava os trabalhadores, artesões e pequenos proprietarios de terra). Os relatos variam, mas o mais provável é que esse modo de vestir era quase que exclusivamente de uso daqueles que protestavam nas ruas. Depois da revolução, uma versão evoluída do modelo de equitação inglês, composto por sobrecasaca e calças, tornou-se a roupa do dia a dia para a nascente burguesia.
Paradoxalmente, a rejeição aos tecidos e trajes luxuosos, símbolos da estratificação e opressão social, teve forte impacto negativo para a industria têxtil, e o negocio da moda francesa- e quem mais sofreu com isso foi o trabalhador.

       O idealismo dogmático da primeira etapa da revolução francesa deu lugar ao período do diretório, e a sociedade, mais uma vez, voltou seu interesse para modismo e novidades. As publicações de moda reapareceram e o Neoclassicismo, estilo que resgatava os conceitos democráticos da antiguidade clássica romana e grega, passou a dominar a moda até a década de 1820.
     


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