sexta-feira, 28 de junho de 2013

Ritualismo

        A adoção de vestimentas específicas para os rituais sociais do casamento e de luto é uma constante na história da moda. Durante o reinado da rainha Vitória (1837-1901), os códigos relativos ao vestuário em rituais de velório tornaram-se  extremamente complicados. No mesmo período, os vestidos brancos de noiva, não abarcamos pela mesma etiqueta rígida, ganharam grande popularidade.
Rituais sociais e códigos da etiqueta altamente complexos regiam a vida no período vitoriano. A aderência e tais padrões denotava a distinção  de uma pessoa , traço muito apreciado numa época totalmente influenciada pela rainha Vitória- a soberana que, com a morte do marido, príncipe Alberto, em 1861, adotou o luto até o final da vida.

     O luto, então, era dividido em períodos distintos: luto completo ou fechado, segundo luto, luto comum e meio-luto, cada um com duração do luto variava conforme a relação que se tinha com o falecido. A viúva, na patriarcal era vitoriana, encarava constrições muito mais rígidas e abrangentes: tinha de passar dois anos e meio publicamente de luto pelo marido. De sua parte, o viúvo devia respeitar um luto ostensivo de apenas três meses, sinalizado pelo uso de uma faixa de crepe negro no braço.

      As mulheres, portanto, enfrentavam uma lista de regras bem mais severas, que ditavam o que vestir, como e em  quais circuntancias, As especificações detalhavam elementos como tecido, o corte, a silhueta, botões, roupa de baixo, penduricalhos e acessórios. O crepe ( uma gase de seda fosca) ou o bombazine (tecido de seda fosca alisada) eram os tecidos permitidos para o luto completo. Para o segundo luto, permitia-se adicionalmente a seda escura. Quando se alcançava o meio-luto, tonalidades incluindo cinza, malva e violeta tornavam-se permitidas, além do preto.

      Convenção que remota ao período medieval, o vestido de casamento branco jamais havia sido compulsório até meados do século XIX. Na era vitoriana, porém, o branco constituía a única cor aceitável para uma noiva que desejasse demonstrar sua estatura moral e sua virtude social. Assim como viria mais tarde a influenciar o vestuário de luto, ao casar-se a jovem rainha Vitória contribuiu decisivamente para popularizar o uso do branco nupcial.

      Esses ideais não eram universalmente acatados. Os custos proibitivos do luto fechado ou do vestido de noiva  limitavam seu uso a uma pequena parcela da sociedade. Para casamentos, um vestido de dia bem-feito era a opção usual, com tecidos coloridos substituindo ou complementando o apreciado, e caro, branco. O luto impunha mais problemas. A falta de recursos para vivenciar o luto de maneira socialmente apropriada era fonte de vergonha- e empreendiam-se todos os esforços para que o ritual fosse seguido.

       A moda do vestido de noiva persistiu com os estilos vitorianos de saia ampla, populares até hoje. Já o culto do  luto completo não se estenderia além da Primeira Guerra Mundial, quando a perda de milhões de vidas demandou a adoção de um ritual mais realista.

 






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