sábado, 22 de junho de 2013

Século XIX introdução

   O impacto da Revolução Industrial sobre a moda do século XIX foi amplo: afetou a disponibilidade, os preços, a aparência e a disseminação dos estilos, além de gerar uma nova estrutura social, em que os valores da classe media passaram a moldar as atitudes culturais. De outro lado, criou também bolcões de resistência contra o processo de crescente mecanização, as severas condições sociais e a natureza restritiva do vestuário feminino.

     A moda no século XIX foi um reflexo tanto do avanço tecnológico como da mudança de atitudes socioculturas quanto ao gênero e à classe. A Revolução Industrial, iniciada no século anterior, acelerou-se, e, apesar do impacto sobre produção,distribuição, comunicação e consumo de moda, seu efeito foi sentido de forma mais contundente pela ascensão da classe e a imposição de seus valores à sociedade.
 O desenvolvimento do capitalismo industrial significava que a riqueza não mais dependia da hereditariedade. Esforço pessoal e propósito ganharam o status de únicos atributos capazes de garantir uma vida próspera.

     O trabalho duro adquiriu contornos de religião. Sobriedade no comportamento e o hábito de poupar tornaram-se dominantes. A adoção desses rígidos códigos morais refletia a nessecidade de se pôr ordem numa era de violentos tumultos sociais.

      Os valores da classe média moldaram a moda do século XIX, da mesma forma que a frivolidade da  o fizera nos séculos anteriores. A tendência, agora, simbolizava ideias de classe e gênero, com uma distinção clara entre o que era apropriado para mulheres e para homens. Algo que, de certa forma, persistiu e deu forma às definições contemporâneas de masculinidade e feminilidade.

      Os homens renunciaram à perseguição da beleza e tornaram-se modelos de recato. Trajes masculinos extravagantes passaram a ser moralmente repreensíveis ( quando não indesejáveis), pois denotavam excessos aristocráticos e de efeminação. O terno justo, de aparência austera e cores escuras, virou símbolo de respeitabilidade e dos ideais das mentes elevadas.

      No começo daquele século, o Neoclassicismo, simples, linear e não-constritivo, dominava. Porém, a liberdade que as mulheres experimentaram com os vestidos soltos e sem espartilho passou a ser vista como aberração na trajetória da moda feminina nos anos 1800. Conforme se avançou século adentro, as linhas tornaram-se menos maleáveis e mais restritivas. A partir da década de 1820, reintroduziu-se o espartilho, ainda mais apertado. As saias ficaram mais amplas. De início, sua estrutura apoiava-se sobre numerosas combinações sobrepostas e, depois, sobre as desajeitadas estruturas das criolinas. Os tecidos espalhafatosos foram valorizados. O recato da mulher expresso pelo jeito de vestir refletia, cada vez mais, as restrições de seu papel na sociedade.

      Durante o século XIX, a indústria da moda começou a tomar a forma moderna, com a estruturação da indústria de alta-costura parisiense por Charles Frederick Worth, em 1868. Foram estabelecidas, então, as práticas de produção sazonal de coleções e as exposições de moda semestrais. A figura do estilista foi elevada à posição de inquestionável ditador de tendências.

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