terça-feira, 18 de junho de 2013

Séculos XVII e XVIII

  A arte dos séculos XVII e XVIII foi dominada inicialmente pelo movimento Barroco e, em seguida, pelo Rococó. Essas tendencias culturais amplas exerceram influencia estilística marcante sobre a arquitetura, a pintura, a escultura, a música, a decoração de interiores e também sobre a arte têxtil e o vestuário de cada período.

  A baroca era rígida, ornada e formal. Tecidos pesados exibiam desenhos curvilíneos típicos das artes decorativas do período. O reinado de Luís XIV na França ( 1667-1715) dominou o período e suas escolhas indumentárias ditavam moda. Com gosto por interiores e vestuário suntuosos, o soberano encorajava a corte a seguir suas extra vagâncias- o que levou muitos à falência. Luís XIV ganhou, assim, a alcunha de "rei consumista ".

  A moda rococó foi, de modo geral, mais excêntrica. As silhuetas não se diferenciavam muito das usadas no período baroco, mas o detalhe decorativo se revelava bem mais delicado. Assim como o Baroco refletia o temperamento de Luís XIV, o Rococó expressava a índole de Luís XV. O bojo dessas amplas tendências culturais, verificou -se uma variedade de modismo localizados e efêmeros. As rotas de comércio com o Oriente, abertas há séculos, foram formalizadas ao fim do século XVII. Com isso, artefatos, tecidos e vestimentas importados pela Europa espalharam a febre do Exotismo, e as referências transculturais tornaram-se aparentes na moda. O algodão indiano e a seda chinesa valorizaram-se. A demanda por tais produtos impulsionou a mecanização da indústria têxtil europeia, a fim de viabilizar a produção local desses itens .

  Os primeiros passos da Revolução industrial tornaram-se visíveis logo no início do século XVIII. Seu real impacto seria sentido somente no século seguinte, mas já então  se notava a vitalidade do nascente segmento  de moda. Uma série de inovações( a lançadeira volante de John Kay, a máquina de fiar movida a água de Arkwright, a mauina de tecer spinning Jenny de Hargreve e o tear mecânico de Cartwright) transformou a in dústria têxtil. Avanços na imprensa gráfica, a partir dos anos 1770, permitam o desenvolvimento das revistas de moda na França, na Inglaterra e na Alemanha. Esses veículos disseminavam o estilo da corte. O consumo de modismos expandiu-se da aristrocacia e da área metropolitana para localidades rurais e para classe média, graças aos avanços na comunicação e à crescente sostificação dos pequenos logistas.

   Apesar de dominada pela aristrocacia, a moda não era exclusividade das classes mais altas. As vestimentas da burguesia e do trabalhador refletiam tendências culturais e, por volta do final do século XVIII, exerceram influência direta sobre o modo de vestir da aristrocacia, como símbolo das convulsões da Revolução Francesa.

  Para os homens, as mudanças na indumentária foram mais dramáticas durante do século XVII, em especial na Inglaterra, onde as vestimentas austeras usadas durante a guerra civil foram suplantadas pelos modelos volumosos e adornos que acompanharam o restabelecimento de Carlos II ao trono,em 1660. Porém, o conjunto de calção, colete e casaco( percursor do terno) passou a ser adotado na Inglaterra, na França e em outras áreas da Europa a partir dos anos 1660 e, ainda que com variações  de tecido  e ornamentação, dominou a moda masculina até a Revolução Francesa.
 
  O século XVIII começou a terminar com a Revolução Francesa em 1789, evento que agiu como catalizador de imensas mudanças na moda. O modo de vestir politizou-se e passou a representar a ideologia igualitária  do movimento revolucionário. O artifício e a ostentação, características da moda no regime antigo, foram abandonados em favor de tecidos simples, silhuetas naturais e praticidade.
 
 Essa mudança, contudo, não aconteceu do dai para a noite: uma rejeição sutil às vestimentas suntuosas já  se evidenciava desde os anos 1770, quando uma tendência naturalistas disseminou pela França o gosto por estilo à inglesa, mais comedido e esportivo, o que resultou numa onda chamada  Anglomania.

Nenhum comentário: