quarta-feira, 31 de julho de 2013

Pré-rafaelismo

    De 1830 em diante, os movimentos europeus por mudanças no vestuário refletiam a evolução nas artes, na literatura, na filosofia e na politica. Defendendo a "veracidade para com a natureza e a beleza em todas as coisas", a irmandade pré-rafaelita era um grupo de artistas cuja admiração pela pintura medieval refletia a insatisfação com as manufaturas modernas celebradas pela exibição internacional de 1851.

   Os pré-rafaelitas adentraram o debate sobre o vestuário feminino em 1848, promovendo, por meio de suas pinturas, um jeito fluido de se vestir, livre de espartilhos, menos construtivos e mais saudável.

   As representações de mulheres nas pinturas pré-rafaelitas de Dante Gabriel Rossetti, J.E.Millais e Edward Burne Jones seriam inspiradoras tanto para contemporâneos como para grupos inovadores vindouros e promoveriam a chamada "roupa artística".
 
   As modelos vestiam-se com peças derivadas da obra Costume historique, de Camille Bonard, publicada em Paris entre 1829 e 1830. Outras roupas, com características históricas menos evidentes, eram feitas para uso diário, mas todas compartilhavam uma silhueta mais folgada e aparentemente simples, em cores naturais moderadas ou "artísticas".
 
    Não havia peças justas, em oposição à tendencia dominante na época: espartilhos apertados, tecidos farfalhantes, criolinas volumosas e cores artificiais.

    A ausência do espartilho no vestuário artístico era subversa para os padrões da época. O visual folgado denotava algo de imoral, como se a falta de amaras e laços apertados significasse falta de decoro na rígida era vitoriana.

    O comercio contribui para o pré- rafaelismo. A partir de 1875, sedas fluidas com tingimento vegetal e tecidos de lã importados da Asia por Arthur Lasenby Liberty faziam sucesso na East Índia House, loja frequentada por artistas como Rossetti.

   Fora do circulo dos pré-rafaelitas, a disseminação do vestuário artístico coincidiu com a febre de materiais importados do Japão e com a renovação do gosto por formas e tecidos clássicos. Embora não se caracteriza-sa como alternativa à moda vigente, o vestuário japonês, assim como o clássico, tinha caimento mais solto, exercendo forte apelo entre artistas.

   Essas roupas foram usadas por modelos em pinturas  do fim dos anos 1870, assinadas por James Abbott McNeill Whistler e lord Frederic Leighton.

   O efeito da roupa artística sobre as tendencias da moda perdurou, o que foi citado em texto escrito por Mary Eliza Haweis para a influente revista The Queen e em seu livro The art of dress(arte do vestuário), publicado em 1879, o que inclui uma interpretação do ressurgimento do vestuário medieval  promovido pelos pré-rafaelitas, vinte anos depois do inicio do movimento.

   A versão masculina do vestuário artístico- casaco de veludo e laço no pescoço, visual de Rossetti- tinha suas raízes no movimento romântico do inicio do século XIX.
 

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