quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Arts & Crafts

    Relacionando-se de perto com o pré-rafaelismo, o movimento Arts & Crafts foi motivado tanto por preocupações sociais quanto estéticas. Desiludido com os efeitos desumanizadores da industrialização e da produção em massa, os seguidores de Arts & Crafts dedicavam-se ao resgate da habilidade e maestria artesanais tradicionais.

    Originário da Inglaterra, o movimento teve seus princípios adotados em outros países e influenciou os têxteis, as artes decorativas e a arquitetura do fim do século XIX e inicio do século XX.
John Ruskin e William Morris foram os fundadores do movimento Arts & Crafts. Chocados com a velocidade da industrialização e a miséria urbana da era vitoriana- e decepcionados com a má qualidade obtida pela produção em massa-, ambos defendiam vigorosamente a integridade do design e do artesanato tradicional.

    Os membros do Arts & Crafts adotaram um estilo de roupa amplamente reconhecido, e que ostentava princípios como fidelidade aos materiais, formas simplificadas, resgate das tradições domesticas e estampas naturais. Para as mulheres , as roupas eram feitas em casa ou em pequenos estúdios comerciais, a partir de materiais básicos e naturais.

     A inspiração vinha da renascença e da arte medieval, incorporando peças folgadas e pregueadas que evocavam a simplicidade rural e poderiam ser sobrepostas, de modo a compor uma silhueta linear e livre.
As cores belas e suaves derivavam de tinturas vegetais.

    Nos acessórios, o destaque ficava por contas dos detalhes decorativos florais. Vestidos no estilo Arts &Crafts ocuparam as vitrines da loja de departamentos londrina Liberty&Co, e muitas casas de costura de paris adotaram detalhes estilísticos associados ao movimento. Para os homens, a adoção de roupas com o visual associado ao do trabalhador expressava simpatia, respeito e preocupação pela mão de obra humana diante do mundo industrializado.

     Em outra vertente, a moda masculina do Arts & Crafts se aproximou do estilo do Esteticismo. O design e a produção de jóias- que valorizavam, acima da matéria-prima, a técnica e a habilidade artesanal- constituíam outro braço do movimento.

    Pedras semi preciosas (e ralativamente baratas) eram usadas com a revitalizada técnica de esmaltação de Limoges e materiais forjados em prata. Os desenhos tiravam suas referencias estilísticas da natureza, da mitologia , de lendas celtas, da renascença e da arte medieval.

     Personalidades como Alexander Fisher, Jonh Paul Cooper e Jessie M.King, assim como a figura-chave do movimento, Charles Robert Ashbee, representaram o Arts & Crafts na joalheria.

     Embora preocupado com a situação  do homem na era industrial, o movimento profundamente anacrônico, com sua retorica baseada num ponto de vista romântico, conservador e um tanto elitista. Os objetivos que produzia, os ideais que apresentava e o estilo que promovia estavam além das possibilidades (e talvez até mesmo do interesse) daquele segmento social que procurava defender.

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