quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Racionalismo

 
     A sociedade do Traje Racional foi formulada em Londres, em 1881, pela viscondessa Harberton e por Emily M. King, com a intenção  de revolucionar a moda feminina. Indignadas com os riscos à saúde inerentes  aos modelos construtivos e pesados do vestuário da época, as criadoras do movimento promoviam vestimentas alternativas, confortaveis, praticas e leves.

    Com exceção de um breve hiato, quando se viveu o retorno à fluidez do estilo neoclássico, o espartilho dominou a moda persistentemente ao longo de século XIX. Desconfortável, anti-higiênico e constritivo, o espartilho implicava, segundo relatórios médicos da época, uma lista de efeitos colaterais por vezes perigosos para as usuárias.

    Tais conquencias incluíam órgãos internos esmagados, pulmões e rins perfurados por costelas quebradas, capacidade pulmonar severamente reduzida, abortos espontâneos, problemas de pele e mau halito causado por mau digestão.

     Não tão perigosos, mas nem por isso mais práticos, os modelos pesados, com grandes criolinas e tournures desajeitadas, tecidos rígidos e saltos altos também conspiravam para limitar o conforto e a liberdade das mulheres.

      A partir da preocupação com o bem estar feminino, foi criada em 1881, em Londres, a Sociedade do Traje Racional, pela viscondessa Harberton e por Emily M. King, ambas militantes pelos direitos da mulher.

     O movimento não propunha uma evolução mas, sim, uma revolução no vestuário. Publicado no jornal da sociedade, um manifesto lançou o ideário radical da organização: "A Sociedade do Traje Racional protesta contra a introdução de qualquer vestimenta na moda que deforme a silhueta ou impeça o movimento do corpo, ou que,de qualquer maneira que seja, tenda a prejudicar a saúde".

     Em 1884, a Exposição de Saúde de Londres proporcionou um trampolim para o movimento, ao dedicar um setor exclusivo para o vestuário feminino"higiênico".A viscondessa Harberton exibiu ali uma modesta saia dividida-que hoje reconheceríamos como cullotes-obtendo repercussão altamente positiva.

     Os mandamentos da revolução racional do vestuário estavam em sintonia com as teorias do doutor Gustav Jaeger, proeminente Zoólogo alemão. Usando como evidência sua própria cura por meio da adoção de roupas higiênicas, ele defendia que somente fios oriundos de fontes animais(lã, caxemira) deveriam ser usados diretamente sobre a pele.

    Jaeger assinou um ensaio alarmista, comparando o uso de fios de origem vegetal (como linho) à inalação de veneno, pois"fibras vegetais mortas absorviam vapores perigosos quando frias e emitiam-nos de volta quando aquecidas pelo corpo, contaminando, assim, o ar à volta da pessoa".

     A teoria, claro, não fazia sentido algum, mas isso não inibiu o sucesso do zoólogo nem o fervor de seus seguidores.

Nenhum comentário: