sexta-feira, 11 de outubro de 2013

biografia da estilista Edith Head

Edith foi contratada pela Paramount, em 1924, para o cargo de desenhista de croquis do departamento de figurino, mesmo sem ter experiência alguma na área e pouca habilidade artística, visto que trapaceou durante sua entrevista de emprego no estúdio, levando desenhos feitos por outra pessoa para assim aumentar suas chances de conseguir a vaga. Mesmo com a falta de experiência, seu trabalho foi se desenvolvendo enquanto criava e desenhava figurinos para o cinema mudo. No começo de sua carreira, trabalhava para o já consagrado figurinista Howard Greer e, em 1928, foi promovida a assistente de Travis Banton, um dos mais importantes figurinistas da década de 1930. Durante os anos seguintes, seus trabalhos ganharam destaque e, em 1938, ela conquistou o cargo mais alto do departamento de figurino do estúdio, no qual permaneceu até 1966.
Durante seus 43 anos como figurinista, Edith desenvolveu os mais incríveis e memoráveis vestuários. Em“Asas”, filme mudo de 1927, primeiro ganhador na categoria Melhor Filme da história do Oscar, ela trabalhou em parceria com Banton na criação dos figurinos característicos do período da Primeira Guerra Mundial. O filme conta a história de dois pilotos de combate do exército americano que se apaixonam pela mesmo mulher. O trabalho de Edith foi desenvolver uniformes verossímeis aos utilizados pelo exército na época, especialmente pelos pilotos.
Sendo um filme em preto e branco, é interessante observar como a roupa dos personagens principais dialoga entre si. Jack Powell e David Armstrong vestem o mesmo uniforme, enquanto Mary Preston, ao juntar-se ao esforço de guerra, torna-se motorista de ambulância, e veste um uniforme específico da função. Mesmo em tons de cinza, é possível notar o destaque dado a Mary quando presente em cena. Seu uniforme foi confeccionado em tons mais escuros, imprimindo quase preto no produto final, enquanto os uniformes dos pilotos são mais claros, conferindo à eles uma tonalidade acinzentada. Quando juntos, Mary acaba por destacar-se dos outros personagens e de seu entorno, sendo transformada no foco do olhar do espectador. Mas apesar da representação precisa dos uniformes da época, a atriz Clara Bow não ficou satisfeita com a silhueta de seu costume. Por achar as roupas muito largas, insistia para que os figurinistas deixassem-a utilizar um cinto mais apertado, para assim definir suas curvas. Mesmo sem a aprovação da atriz, o figurino foi um dos grandes trunfos do filme.















Já em “Crepúsculo dos Deuses”, filme de 1950, Edith Head desenvolveu com maestria o figurino de uma ex-estrela do cinema mudo que vive reclusa em sua própria ilusão de um dia voltar a brilhar nas telas de todo mundo. Tendo começado sua carreira durante a década de 1920, durante o momento triunfal do cinema mudo, a figurinista teve a oportunidade de vestir grandes nomes da época e caracterizar diversos personagens. Por essa razão, transformar a atriz Gloria Swanson na estrela caída Norma Desmond não foi problema.
A caracterização certeira da personagem englobou desde os cabelos curtos e ondulados, próprios da década de 1920, aos vestidos longos e deslumbrantes da época de ouro de Hollywood. Detalhes cintilantes, estolas de pele, sobrancelhas e lábios marcados, jóias e ornamentos constroem a imagem do glamour de uma estrela, porém com traços de outros tempos. Esta mistura de épocas nos causa a impressão de alguém que parou no tempo. Desta maneira, testemunhamos o sofrimento da personagem que escolheu viver para sempre no seu momento de maior glória, se recusando a entregar-se a dura realidade da sua existência.
Head também é conhecida por suas parcerias de sucessos com diretores, atores e até mesmo estilistas. Uma das mais importantes, que gerou diversos frutos, foi com o diretor Alfred Hitchcock. Com ele, a figurinista trabalhou em diversos filmes, vestindo grandes nomes e consolidando-se como uma das mais influentes figurinistas da história do cinema. Criou os figurinos de filmes como “Janela Indiscreta”, de 1954 , “Um corpo que cai”, de 1958, e “Os Pássaros”, de 1963, por exemplo; trabalhos que ficaram famosos por sua imensa qualidade, importância e repercussão.
As criações de Edith influenciam até os dias de hoje outros figurinistas, diretores, nomes importantes do mercado da moda e da fotografia. Seus figurinos para os filmes de Hitchcock são cheios de detalhes simbólicos, muitas vezes solicitados pelo próprio diretor, acrescentando maior profundidade psicológica a trama.
Sua parceria com a atriz Grace Kelly, também ficou famosa, quando teceu inúmeros elogios a atriz, considerando-a sua musa. Em “Janela Indiscreta”Kelly interpreta a namorada socialite do fotógrafo acidentado, vivido por James Stewart. Impossibilitado de sair de sua casa, este observa a vida de seus vizinhos pela janela, e uma noite acredita testemunhar um assassinato, contando tudo que viu a namorada. Desta maneira, os dois começam a observar as ações do vizinho suspeito e misterioso, na tentativa de desvendar os acontecimentos. Grace Kelly aparece deslumbrante, com lindos e luxuosos vestidos em tons de preto e branco, elegante e refinada como uma mulher da classe alta americana da época. O figurino impecável constrói a imagem da mulher frágil e submissa, porém a personagem subverte esta expectativa e se mostra forte e determinada.
Outra famosa e elogiada parceria da figurinista foi com Audrey Hepburn. Durante as décadas de 1950 e 1960, Edith já tinha adquirido status e reconhecimento no universo cinematográfico, principalmente por ter ganho sete das oito estatuetas as quais foi indicada durante as cerimônias do Oscar. Assim, ela coordenou o figurino e vestiu Audrey em diversos e conhecidos filmes, como “Bonequinha de Luxo” (1961),“Cinderela em Paris” (1957), “A Princesa e o Plebeu” (1953) e “Sabrina” (1954) – por esses dois últimos filmes, aliás, levou para casa dois Oscars consecutivos. Desta maneira, a parceria entre as duas artistas firmou-se como um sucesso, transformando a atriz e os figurinos em referências do estilo da década.
Vestindo o singelo corpo de Hepburn com os mais belos e pomposos vestidos de festa em “Cinderela em Paris”Edith transformou a personagem de atendente de livraria à top model internacional. Cada peça de roupa serve para transportar o espectador para esse mundo tão glamuroso, entre vestidos de alta costura, viagens a Paris e sessões de fotografia. Afinal, quem nunca sonhou em vestir uma daquelas maravilhosas criações? Com toda certeza, “Cinerela em Paris” não seria o mesmo filme sem o figurino como um dos seus mais importantes personagens.















Já com “Bonequinha de luxo”Audrey Hepburn transformou-se em ícone da elegância da década de 1960. Vivendo uma personagem sedutora, espontânea e encantadora, ela conquistou uma legião de fãs com a eterna Holly Golightly. Vestida por Hubert de Givenchy sobre a supervisão de Head, a atriz surpreendeu à todos com sua interpretação precisa da acompanhante de luxo vivendo uma vida superficial para assim conseguir suportar e mascarar seus verdadeiros sentimentos. Um dos mais icônicos vestidos da história cinematográfica confirmou o sucesso do trabalho de Head e Givenchy.















E vale lembrar que HepburnHead e Givenchy já haviam trabalhado juntos em “Sabrina”, no a figurinista desenvolveu o guarda-roupa da garota pobre que, ao mudar-se para Paris, cresce e transforma-se em uma bela mulher.
Filha do chofer de uma família de milionários, ela conquista o coração dos dois irmãos, filhos dos patrões de seu pai. Nesta história ao melhor estilo “Cinderela”, o figurino proporciona a caracterização de uma mesma personagem em dois momentos distintos da vida. Toda a transformação vivida por Sabrina pode ser vista superficialmente, através de belos vestidos de baile e modernas peças de vestuário.
Edith Head deixou um grande legado e reinou como a maior figurinista do cinema Hollywoodiano por várias décadas. Seus famosos e inseparáveis óculos escuros eram na realidade óculos com lentes azuis. Os figurinistas da era do cinema em preto e branco costumavam utilizar uma lente azul para visualizar as cores finais que seriam impressas no negativo. Por mera praticidade, Head mandou adaptar seus óculos com as tais lentes.
Em 1967, depois de sua saída dos estúdios Paramount, ela começou a trabalhar naUniversal Pictures, onde permaneceu até a sua morte em 1981. Sua imagem icônica é até hoje lembrada e reverenciada, transformando-se até mesmo em referência para a criação da personagem Edna Moda, da animação “Os Incríveis” (2004).
Fontes:Cine Esplendor.

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