domingo, 27 de outubro de 2013

Moda Vitoriana

Primeira Fase da Era Vitoriana (1837-1860)



A Era Vitoriana corresponde ao reinado de Vitória na Inglaterra, de junho de 1837 a janeiro de 1901. Tempo cujo consumo e burguesia estavam em alta devido o crescimento do comércio com a Revolução Industrial e da fabricação de roupas com a invenção a máquina de costura.
Basicamente, a moda da Era Vitoriana divide-se em dois momentos: de 1837 a 1860 (a qual discorreremos a seguir) e de 1861 a 1901.
Moda Feminina
De reinado puritano ao extremo, pedia por mulheres recatadas, de aparência vulnerável e movimentos restritos.
Usado em crianças a partir de três anos, o espartilho era uma necessidade médica. Crescidas, as mulheres usavam várias camadas de corpetes, mais de quatro camadas de anáguas, crinolina e vestidos que chegavam a ter 20 metros de tecido, reforçados com barbatanas. Ao sair de casa acrescentava-se um xale pesado e uma touca adornada, chegando a pesar até 15 quilos de roupas.
As cores das roupas eram claras. A silhueta tinha ombros mais estreitos, a cintura baixou alguns centímetros e os espartilhos ficaram “pontudos” comparados à Era Romântica. O corpete e a saia formavam uma só peça abotoada atrás, podiam usar uma jaqueta curta por cima. As mangas dos vestidos diurnos desceram até o pulso e eram bufantes no antebraço e justas até o pulso. A saia tinha formato de sino, usada com forros de lã, anáguas pesadas e crinolina.
 
Os vestidos de noite eram decotados até os ombros, com decote decorado em rendas, laços e babados.
Os vestidos de noite eram decotados até os ombros, com decote decorado em rendas, laços e babados.
 
Como a Rainha Vitória era baixinha, os sapatos femininos não tinham salto ao estilo sapatilha, da mesma cor da roupa, e, às vezes, amarrados no tornozelo como de bailarina. Nas ruas podiam usar botas de tecido. Em 1856, as botas entraram na moda, tinham saltos mais altos e eram amarradas até o meio das canelas.
Entre 1840 e 1850 usava-se bonnets que escondiam rosto e pescoço e que só permitiam a moça de olhar para frente.
Exceto pelos vestidos noturnos, que deixavam parte dos ombros à mostra, as roupas cobriam todo o corpo. Foi nessa época que as primeiras mulheres começaram a reclamar das restrições das roupas e da saúde, então, surgiram calções largos e compridos que se estreitavam na altura dos tornozelos e eram usadas por baixo de saias: os bloomers, mas a peça foi ridicularizada e acabou adaptada para meninas e para educação física.
Moda Masculina
A moda masculina teve influência do Príncipe Albert, o consorte da Rainha Vitória, que era jovem e vaidoso. Bastante parecida com a do período romântico: ombros e peito cheios e cintura minúscula. A calça tornou-se levemente tubular e reta.
Na época da Revolução Industrial, os homens necessitavam de roupas que facilitassem os movimentos, portanto, surgiram trajes sóbrios, sérios e impessoais. Tecidos de cores escuras, listradas ou em xadrez grande ou pequeno. Os únicos enfeites eram a gravata ou um lenço de seda branco em torno do pescoço, a cartola que cobria todo o cabelo e a corrente do relógio de bolso que ficava aparente sobre o colete. Usavam bigode com ou sem cavanhaque.
 
Foi introduzido o babador. A peça era uma falsa frente de camisa em cetim, que deveria ser usada com o traje de gala, presa no colarinho e colocada para dentro, intencionalmente desarrumada.
De dia, vestiam um casaco longo, normalmente preto. Para uso à noite, em 1850, ficou em voga o casaco trespassado com corte reto. O fraque com gravata branca também era traje formal para os cavalheiros.
 
Em 1860, tornam-se comuns os ternos, e casaco, colete e calças todos da mesma cor.


Pesquisa de Sana, autora do blog Moda de Subculturas


Segunda Fase da Era Vitoriana (1861-1901)


Em 1861, o Príncipe Albert faleceu e a Rainha Vitória mergulhou em tristeza, vestindo luto e não o tirando até o fim da vida. A morte do Príncipe Albert marca o início da segunda fase da Era Vitoriana: as cores escurecem. O normal era vestir trajes de luto por dois anos, mas a rainha optou pelo luto permanente e muitas mulheres a imitaram.
Moda Feminina
Na década de 1960, a silhueta tornou-se menor, incluindo o tamanho dos chapéus. As saias passaram a ser retas na frente e projetadas para trás, mas ainda com volume e ornamentos.
As mangas eram amplas em estilo pagode e o pescoço enfeitado com golas altas em renda ou outro tecido delicado. Estampas geométricas e listras eram populares em tecidos como cetim, crepe, brocado e tafetá.
O traje noturno tinha decote baixo e mangas curtas usadas com luvas curtas de renda ou de tecido. As saias possuíam crinolinas maiores que as saias de uso diurno. Era comum um tecido de mesma estampa ser usado para dois vestidos, um para o dia, outro para a noite.
As mulheres eram muito enfeitadas, mostrando o poder financeiro da figura masculina da qual ela era dependente.
Os acessórios eram os mesmos da primeira fase: leques, luvas de renda ou de tecido, sombrinhas, pequenas bolsas, cabelos repartidos ao meio e enfeitado com flores e laços. Jóias como pérolas, camafeus, broches e pedras. Nos pés sapatilhas com ou sem um pequeno salto e pra sair às ruas, botas.
Por volta de 1864, a forma da crinolina começou a mudar e recebeu o nome de crinolete. Ao invés de ser em forma de cúpula, a frente e os lados diminuíram e o volume ficou apenas na parte de trás.
Novas silhuetas apareceram entre 1870 e 1890. A moda feminina teve uma grande mistura de estilos. As saias foram varridas para trás, sendo ainda mais justas e estreitas na frente e volumosas em um amontoado de tecido atrás terminando em cauda. O visual causou furor, pois mostrou mais as formas do corpo feminino.
Em 1870, usavam-se vestidos em cores vibrantes, o espartilho poderia ser de outra cor e a saia ter tecidos diferentes, sendo um liso e outro estampado. O espartilho tornou-se ainda mais rígido, restringindo mais os movimentos. Um tipo de jaqueta que formava uma sobressaia foi usadíssima.
O chapéu ao estilo boneca dava lugar a chapéus pequenos, caídos sobre a testa. Usados com cabelos presos. Tranças em torno da cabeça eram muito comuns.
Em 1880, as mangas eram justas e a parte de cima do corpo enfeitada com babados cobrindo o ombro. A saia ficou com forma de trombeta, ainda com muito volume na parte de trás e a forma adquirida junto com os espartilhos era a forma de ampulheta.
A crinolete foi reduzida em um meio arco de metal, chamado de anquinha (em inglês, bustle), que se projetava horizontalmente para trás. Era unido por dobradiças que se movimentavam quando a usuária de sentava ou levantava.
Ainda em 1880, a anquinha gradativamente desapareceu das roupas femininas. As saias passaram a ter formato de sino, as blusas tinham gola alta com babados de renda ou tule. A renda também passou a ser usada em vestidos e em anáguas, que eram agora um símbolo erótico, já que para atravessar a rua, as mulheres tinham que levantar o vestido e deixavam propositadamente a anágua rendada aparecer.
Usavam luvas compridas à noite e leques imensos, as jóias eram extremamente coloridas. Com a popularização das bicicletas, os bloomers, antes rejeitados, passaram a serem usados, apesar de ainda causarem escândalos.
Nos pés, usavam sapatilhas e botas com um pequeno salto.
Mulheres rebeldes e intelectuais se recusavam a usar esse tipo de roupa e usavam peças que imitavam a moda, mas eram soltas e sem corset. Elas protestavam contra o espartilho e as camadas desnecessárias de roupas. À medida que as mulheres foram ficando mais ativas na sociedade, os espartilhos rígidos saíram de moda.
Na década de 1890 houve uma mudança de valores. A Era Vitoriana estava chegando ao fim. Ainda nessa década, o espartilho alongou e fazia com que o corpo da mulher formasse uma silhueta em forma de S. Silhueta que seria bem popular na Belle Époque.
Moda Masculina
A roupa masculina do final da Era Vitoriana, não difere muito da do início. De dia, dominavam as roupas práticas para o trabalho. Usava-se casaco em curva sobre os quadris com abotoamento no peito, sobretudos curtos e calças retas. Como acessório: gravatas borboleta, luvas, bengala, além do bigode, barba e dos cabelos curtos ondulados, cobertos pela cartola. O homem, a partir dessa década passou cada vez mais a usar trajes informais. À noite, o traje era o fraque.




Pesquisa de Sana, autora do blog Moda de Subculturas.

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