sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Modernismo

 Depois da Primeira Guerra Mundial, os modismos mordenitas evoluíram e passaram a dominar a década de 1920. Caraterizado por linhas limpas, simples, silhueta andrógena e desprezo por adornos supérfluos, o Modernismo buscava melhorar a vida do usuário por meio da recusa ao desconforto e ao artificial. Sua influência na moda diminuiu em 1929, mas os princípios modernistas deram contribuições para muitas tendências dos séculos XX e XXI.

 O termo Modernismo abrange uma série de movimentos do início do século XX, unidos em torno do rejeição ao historicismo. Os modernistas abraçaram o progresso e buscaram aprimorar a experiência humana por meio da ruptura com os valores passadistas. Importante canal de expressão desse pensamento, a moda acolheu de vez os princípios do Mordenismo após o fim da Primeira Guerra Mundial.

 Contida e linear, a moda modernista era a antítese das vestes pesadas da Belle Époque. O novo e andrógino estilo, batizado de visual garçonne, dominou a moda até 1929. A barra das saias subiu consideravelmente até  atingir seu limite em 1926, um pouco abaixo dos joelhos. A linha da cintura caiu para perto dos quadris. Os cabelos curtos e aparados viraram tendência, e os chapéus cloche, sem aba, em forma de sino e usados com a borda rebaixada, ganharam popularidade. O vestido chemise, que descia dos ombros para criar uma silhueta reta e tubular, tornou-se onipresente.

 Além disso, eram utilizados novos tecidos, confortáveis e fluidos, numa paleta neutra de azul-marinho, preto, bege e cinza. O estilo de maquiagem, que acentuava a androginia ao mesmo tempo em que valoriza a feminilidade, caiu no gosto do público. As criações de Coco Chanel e Jean Patou sintetizavam o período. Com seu vestuário esportivo e de formas geométricas, Patou definiu a "cara" do Modernismo.
No entanto, foi o legado de Chanel que perdurou. A ela se creditam a introdução do "vestidinho preto" (ou"pretinho básico") e a promoção do princípio da simplicidade como elegância. Seus modelos enxutos, despojados de decoração, em cores e de formas simples, foram batizados como "pobreza de luxo".

 De acordo com o espirito do modernismo, e ajudado pelo desenvolvimento do raiom e das formas simples do vestuário, a disseminação rápida de estilos passou a ser possível. O que era mostrado nos salões de costura logo se tornava disponível para o mercado de massa através dos moldes em papel ou das lojas que copiavam os modelos.

 Utópico e simples, o Modernismo foi representado na moda pela roupa esportiva do visual garçonne, que, embora sugerisse a libertação física das mulheres, na prática exigida uma mudança radical na forma do corpo feminino: para estar na moda, era determinante ser ágil e jovem e ter uma magreza infantil, sem quadris nem busto. O novo padrão de físico elegante deflagrou, assim, o uso de "achatadores" enrolados ao corpo e a adoção de dietas, pílulas, poções, exercícios extenuantes e regimes rigorosos para ajudar as mulheres em sua busca pela "silhueta de serpentina". O Modernismo perdeu fôlego a partir de 1929, mas como tradição de vestuário os seus principíos continuaram a influenciar os estilistas dos séculos XX e XXI.

 Um exemplo é a norte-americana Claire McCardell. Com seu estilo simples e elegante de roupas inspiradas no vestuário esportivo dos anos 1930, 1940 e 1950 (incluindo leggings e sapatilhas de balé como roupas urbanas), ela impulsionou as mulheres para a liberdade e a flexibilidade oferecidas pela moda atual.

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