terça-feira, 1 de outubro de 2013

Revival da Linha Império

 No fim da década de 1910, conforme a Belle Époque se encerrava, a silhueta dominante para as mulheres ficou mais suave.A artificial curva em "S" criada por espartilhos de frente chata deu lugar a um estilo mais linear, abrindo espaço para retomar a linha Império, tendência subjacente ao Neoclassicismo e que, no início do século XIX, defendera das linhas clássicas usadas pelos antigos gregos e romanos.

 Também conhecido como Diretório ou madame Récamier (bela e famosa lançadora de tendências na era napoleônica), o Revival da Linha Império fez a linha da cintura subir da sua posição natural para logo abaixo do busto, de onde tecidos flexíveis e macios desciam verticalmente até o chão. A mudança não foi apenas estética: mulheres antes aprisionadas nas artificialíssimas curvas dos espartilhos eduardionos puderam, enfim, experimentar uma sensação de relativo conforto no vestir.

 A casa Callot Soeurs, Jeanne Paquin, Charles Frederick Worth, Gustav Beer e Jacques Doucet aderiram à inovação. Mas foi Paul Poiret que chamou para si o mérito de, sozinho, ter libertado as mulheres de seus espartilhos. Apesar de o Revival da linha Império ter mudado a ênfase da silhueta da cintura para o busto, o espartilho continuou em voga, só que numa versão mais evoluída, em formato tubular.

 O estilo tornou-se apreciado para roupas de noite e, em articular, vestidos de chá(Sobretudo para a anfitriã desse tipo de evento). Tais trajes haviam sido populares a partir dos anos 1870: as mulheres da sociedade os usavam para receber convidados do chá da tarde, ocasião em que era aceito abrir mão do espartilho.

 Várias razões explicavam a retomada da silhueta Império. Voltar a velhos modismos tornara-se comum no mundo da moda, em que o apetite dos consumidores por novidades é sempre maior doque as possibilidades de variações estilísticas. Além disso, a Linha Império servia aos interesses dos reformuladores da moda, empenhados em libertar a mulher de vestimentas desconfortáveis e insalubres.

 No caso específico de Poiret, o gosto por peças e tecidos exóticos foi mais determinante do que a intenção consciente de liberação feminina: seus desenhos parecem mais reinterpretações do quínton grego e de roupas orientais.

Alguns desenhos de Poiret









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