segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Revival Vitoriano

Um renascimento nostálgico do estilo romântico de saia ampla e cintura fina ocorreu no final da década de 1930, quando estilistas fizeram experiências com o visual neovitoriano. Em resposta às dificuldades da Grande Depressão, e sob a sombra da guerra iminente, o escapismo e a fantasia dominaram a moda do período, o que explica a boa acolhida de tendência de roupas de estilo vitoriano.

De meados da década de 1930 até a eclosão da Segunda Guerra Mundial, os costureiros incorporaram o olhar reminiscente de Charles Frederick Worth e sua linha de criolinas: uma silhueta voluptuosa, composta por saia ampla e cintura fina, que havia sido abandonada com o fim da era vitoriana e que contrastava radicalmente com os contornos sinuosos e esbeltos da moda moderna.

As fontes para o Revival Vitoriano foram múltiplas. Em Paris, o entusiasmo com a onda dos suntuosos bailes à fantasia serviu tanto para dar fôlego à indústria de costura como para ressuscitar estilos populares na época da Guerra Franco-Prussiana. Saias arqueadas e espartilhos tornaram-se peças de rigor em tais ocasiões, e o estilo acabou incorporando também às vestimentas que não eram fantasias.

O sucesso dos filmes de época de Hollywood também acentuou a nostalgia pela silhueta vitoriana. Nas ocasiões formais, principalmente casamentos, as mulheres procuravam imitar os figurinos que Vivien Leigh usou para interpretar Scarlett O'Hara em E o vento levou...(1939) ou que Katherine Hepburn exibi ao encenar Jo March em As quatro irmãs (1933)- nos dois casos, criações desenhadas por Walter Plunkett.

A chave para o sucesso do Revival Vitoriano foi a promoção do estilo pela mãe da rainha Elizabeth II, Elizabeth Bowes- Lyon, numa visita oficial à França, em 1938.O costureiro londrino Norman Hartnell desenhou os modelos a serem usados na ocasião.

Orientado por George VI, que desejava que a esposa incorporasse a elegância exemplificada por Worth e sua silhueta estruturada sobre a criolina, Hartnell inspirou-se em retratos da realeza europeia vitoriana de Franz Xavier Winterhalter. No entanto, cinco dias antes da visita, a mãe da rainha, a condessa de Strathmore, morreu. Desanimado por ter de usar tons tristes como preto e roxo, Hartnell refez a coleção inteira em branco, uma cor de luto ultrapassada na época. A popularidade e o capricho do guarda-roupa branco neovitoriano de Hartnell não passaram despercebidos pelo setor de moda francesa, e o estilo foi copiado por estilistas parisienses.

Até Chanel, modernista convicta, apresentou uma inclinação para o romântico naquele momento. Elsa Schiaparelli, Mainbocher, Jean Patou e Cristobal Balenciaga também utilizaram temas vitorianos em seus projetos.

Interrompida pela Segunda Guerra Mundial e pela imposição de austeridade e praticidade que o conflito gerou, o romantismo e as linhas suntuosas do Revival Vitoriana saíram de moda rapidamente. No entanto, o movimento pode ser interpretado hoje como uma antecipação daquela que viria a ser tornar a silhueta definitiva do pós-guerra: o formato extremo de ampulheta, no chamado New Look de Christian Dior.

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